Uma terra de santos

Uma das pragas mais perniciosas do relativismo moral é a criação de uma nação de "santos", criaturas moralmente perfeitas segundo seus próprios sistemas morais, sistemas esses que são ajustados perfeitamente conforme suas próprias preferências particulares. Essas pessoas, geralmente as que negam a existência de Deus e, consequentemente, de qualquer tipo de verdade ou moral objetiva, criam para si um molde de conduta milimetricamente projetado conforme sua própria imagem, e ali se encaixam, confortavelmente. Desse encaixe perfeito segue uma existência onde não existe sequer a possibilidade de qualquer mácula ou erro. Como anjos, andam pela Terra como que vestidos por véus etéreos e esvoaçantes de pureza, abençoando o mundo com suas meras presenças.

Essas pessoas vivem a vida dizendo a si mesmas que só vivem para fazer o bem, o que é óbvio, pois como suas próprias regras de conduta foram projetadas de modo a se encaixarem perfeitamente a suas vontades, fazer o mal torna-se logicamente impossível.

A esses "santos", nada desagrada mais que a ideia da existência de uma moral objetiva, inescapável, não só superior, mas também indiferente a suas vontades, sólida, imutável, eterna, anterior mesmo a eles, com a qual é impossível negociar ou fechar um acordo de tolerância. Essa força que, para eles, é a própria encarnação da soma de todos os seus medos, se chama Bem. Com B maiúsculo. Esse Bem tem B maiúsculo porque flui naturalmente de Deus, com D maiúsculo. Objetivo, absoluto, triunfante.

Na presença do Bem, esses seres divinos perdem a sua santidade. Então gritam e sibilam desesperadamente, retorcem os músculos e praguejam, como demônios perante um exorcista. Negam sua existência, se iram, fogem de sua presença e sonham com sua destruição. Pois na presença do Bem, todos os seus desvios são revelados, como a luz que brilha sobre um leproso, revelando suas chagas. Olham uns para os outros e, enxergando-se leprosos, ao invés de buscarem a cura, conspiram entre si: "façamos de nós mesmos o eclipse destinado a apagar para sempre o Sol!"

Essa é a guerra desses seres contra Deus. Essas são suas associações. Para eles, a Luz de Deus é o próprio inferno, e dela se escondem, angustiados, ignorando o encontro inevitável preparado para o fim. Enquanto a morte não chega, seguem fingindo orgulho e santidade, projetando uma divindade fajuta, como mendigos loucos que se dizem salvadores do mundo.

"Todos os nossos atos de justiça são como trapo imundo. Murchamos como folhas, e como o vento as nossas iniquidades nos levam para longe." - Isaías 64:6