O sangue dos outros

Recentemente fizemos um tweet simples e que deveria ter sido bastante incontroverso:

"Passando para lembrar que é o vagabundo viciado que sustenta o traficante que toca o terror na cidade."


Para nossa surpresa, recebemos algumas respostas de uns revoltados (provavelmente maconheiros) que se sentiram ofendidos com a afirmação. Basicamente, a defesa da posição desses meliantes consiste no seguinte:

- O que sustenta o traficante é a ilegalidade, pois se a droga fosse legal, não haveria violência, a droga seria vendida na farmácia.

Essa posição é tão disseminada, tão comum, e de uma covardia e desonestidade tão grandes que resolvemos escrever um texto em resposta para desmascarar essa turma. Percebam como não é complicado desmontar essa safadeza.

A tese original, do nosso tweet, é que o drogado vagabundo é o agente que sustenta o tráfico. Isso é auto-evidente porque, de fato, 1) se não houver um consumidor interessado por um produto, o mercado não irá oferecê-lo; 2) há consumidores interessados em comprar drogas; 3) haverá pessoas dispostas a suprir essa demanda se a recompensa por isso for suficiente. Logo, é uma relação de causa e efeito simples: traficantes só existem porque há demanda pelos produtos. Em termos mais claros: os traficantes só conseguem dinheiro para manter e expandir seus negócios porque existem pessoas que lhes dão dinheiro em troca de drogas.

O problema central aqui é que comercializar esse tipo de produto é ILEGAL. É PROIBIDO vender drogas. Traficantes operam na ilegalidade. Traficantes criam enormes redes de criminalidade que vão além do comércio de drogas, para manterem seus negócios em operação. As consequências dessas redes de criminalidade são: morte de inocentes, terror, o desenvolvimento de um poder paralelo dentro de áreas como favelas e periferias, onde a população vive em meio ao caos, o medo, a violência e a desgraça.

Essas consequências são reais e naturais da guerra travada pela polícia, representante da legalidade e do cidadão de bem, contra organizações assassinas erguidas por bandidos, os mercadores das drogas consumidas por uma parcela da população interessada em "entretenimento químico". Ou seja, uma enorme quantidade de pessoas inocentes, pobres em sua maioria, sofre diariamente tendo de viver numa situação de suspense e perigo constante (pessoas de bem que nunca quiseram se envolver com entorpecentes), por conta do prazer egoísta de uns outros.

Aliás, esses rituais de autodestruição tóxica são, via de regra, executados por moradores de bairros caros, que vivem em situação confortável e nunca precisam sequer visitar os lugares afetados pela miséria desencadeada por seus hábitos. Compram suas drogas do fulaninho rastafári do condomínio e viajam para ficarem doidões na casa de praia. Lá, na rodinha de amigos idiotas metidos a iluminados, discutem ideologia a noite inteira, elucubrando soluções para a triste condição dos coitados que vivem na realidade desesperadora que eles mesmos ajudaram a criar.

Aqui não nos interessa discutir se a realidade seria melhor ou pior se as drogas fossem liberadas, quais seriam as consequências práticas de uma possível liberação ou os perigos disso. Não nos interessa isso porque existe uma discussão mais importante e urgente que essa: a questão moral do uso de drogas em um ambiente onde elas são PROIBIDAS e no qual os produtores e distribuidores são causadores diretos de morte, dissolução de famílias, terror e violência.

Se a "turma da liberação" realmente tivesse um pingo de decência e honestidade sequer, eis o que deveriam fazer (por mais que não concordemos com a descriminalização): sabendo que é ilegal a comercialização de drogas, e sabendo das trágicas consequências que essa comercialização traz em um ambiente onde drogas são proibidas, deveriam:

1) Se abster por completo de consumir drogas, para não contribuírem e não financiarem o crime;
2) Lutar pacificamente pela descriminalização das drogas (já que acreditam tanto nisso), pois como vivem em uma democracia, a forma correta de proceder é tentar convencer outras pessoas de suas ideias e angariar apoio.

Enquanto não conseguissem vitória no ponto (2), deveriam manter o ponto (1), indefinidamente.

Qualquer procedimento fora disso é imoral. Falhar em manter (1) significa financiar diretamente o tráfico, o crime, os bandidos, a violência, o mal. Não há como escapar. Ponto final.

Isso é difícil de entender? Não. Só escrevemos aqui algo óbvio, que qualquer pessoa com o mínimo de conexão com a realidade é capaz de sentir, sem sequer precisar colocar em palavras.

O problema é que essa "turma da legalização" não está a fim de tentar entender nada. Quando eles falam "o que sustenta o traficante é a ilegalidade", eles querem apenas se livrar da responsabilidade pelas consequências de seus atos. Eles nem sequer acreditam de verdade nisso. ELES SABEM QUE O DINHEIRO DELES ESTÁ FINANCIANDO DIRETAMENTE AS MORTES, A VIOLÊNCIA E O TERROR.

Eles NÃO. SE. IMPORTAM.

A questão é que há uma falência moral grande o suficiente na sociedade para garantir que o negócio do crime seja lucrativo. E a culpa é, de fato, compartilhada pelos zé-droguinhas. Eles encarnam a crise moral particular que é justamente esse elemento catalisador de inúmeras desgraças.

O prazer irresponsável dessa turma de delinquentes está acima das consequências práticas do financiamento de bandidos, assassinos, aliciadores de menores, estupradores e terroristas. Essa turminha de vagabundos oscila entre dois pontos: querem se ver como 1) guerreiros da liberdade, politizados, revolucionários, "espíritos livres"; ou 2) simples consumidores de pequenas quantidades de um produto comparável a "outras drogas" como café ou açúcar. Não são nem uma coisa, nem outra. São uma raça de víboras, metidos a espertos, traidores da sociedade e da nação, drogados viciados em prazeres vulgares, cúmplices de uma grande superestrutura de violência que se mantém invencível porque o dinheiro permanece fluindo, da mão de cada "usuário", das mãos sujas de sangue pela violência que é desencadeada pela inconsequência juvenil desses mimados, para as mãos sujas de sangue dos fornecedores de suas drogas "recreativas" favoritas.

Usuários de drogas ilegais são TRAIDORES, nunca se esqueça disso. São cúmplices do bandido, estão de mãos dadas com ele. Eles não se importam com as consequências. Eles não se importam com a violência. Só se importam com o baratinho da maconha, com a "onda", com a festinha alternativa regada a drogas. Eles não se importam de verdade com nada além dos universos de seus próprios umbigos.

Para essa corja miserável e sem escrúpulos, o banho de sangue (dos outros) é um preço pequeno a se pagar.

Menor ainda que o preço da maconha.