O absurdo da vida sem Deus


Em um mundo sem Deus, quem pode dizer quais valores são certos e quais são errados? Nesse mundo não pode existir certo e errado, mas somente nossos juízos pessoais, relativos e subjetivos. Isso significa que é impossível condenar a opressão, os crimes ou o mal. Também não se pode louvar a generosidade, o autossacrifício nem o amor. Matar ou amar alguém são coisas moralmente equivalentes. Pois em um universo sem Deus, não há bem e mal - há apenas "a realidade nua e crua, a realidade sem valor da existência", e não há ninguém para dizer se você está certo ou errado.

Muitos anos atrás, assisti a um documentário da BBC chamado "The Gathering". Mostrava uma reunião de sobreviventes do Holocausto em Jerusalém, onde eles reencontraram amigos com quem há muito tinham perdido contato e compartilharam suas experiências. Uma enfermeira, antiga prisioneira de guerra, contou como acabou sendo ginecologista em Auschwitz. Ela havia observado que as mulheres grávidas eram agrupadas pelos soldados, por orientação do Dr. Josef Mengele, e colocadas nas mesmas barracas. Com o passar do tempo, ela notou que não vira mais essas mulheres. Então, começou a perguntar: "Onde foram parar as mulheres grávidas que moravam naquela barraca?", "Você não sabe o que aconteceu com elas?", alguém respondeu. "Dr. Mengele as usou para experiências de vivisseção".

Um rabino sobrevivente sintetizou bem quando disse que em Auschwitz era como se existisse um mundo em que os Dez Mandamentos fossem ao contrário. A humanidade jamais vira tamanho inferno.

E ainda assim, se Deus não existir, este nosso mundo, em certo sentido, é Auschwitz: não existe certo e errado, todas as coisas são permitidas.

A grande verdade é que ninguém encontrará provavelmente um ateu que viva consistentemente segundo o seu próprio sistema de crenças. Pois um universo sem responsabilidade moral e destituído de valor é inimaginavelmente terrível.

William Lane Craig, 2011